quinta-feira, 8 de maio de 2014

MINICURSO DE ORIGAMI APRESENTADO NO XII EPEM  
ENCONTRO PAULISTA DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA EM BIRIGUI/SP


Eixo Temático: (E4 – Formação de Professores)

Público-Alvo: Profissionais da educação matemática

Tempo Previsto: 3 horas


O ORIGAMI NA MATEMÁTICA ESCOLAR

Theófilo Satoshi OKADA – IFSC USP – SP (theo_okada@yahoo.com.br)
Marcelo Constantino GÁLIO – IFSC USP – SP (marcelo.galio@usp.br)
Thaís Fernanda de Aquino CORREIA – IFSC USP– SP (thais.fernanda.correia@usp.br)
Esther Pacheco de Almeida PRADO – ICMC USP –SP (epaprado@icmc.usp.br)

Resumo: Este mini-curso abordará a montagem de origamis e as possibilidades de discussões de alguns elementos da geometria da educação básica, como, quadrado e seus elementos – lados e ângulos; diagonal do quadrado, bissetrizes, lados paralelos, lados que se interceptam.

Palavras-chave: Matemática escolar, Geometria, Origami.

Introdução

            A matemática por anos tem sido a matéria desagradável para a maioria dos alunos da escola básica. Isso ocorre porque a matemática escolar impõe ao aluno uma obediência cega às definições e teorias, onde qualquer resposta fora do esperado é considerada errada (RUIZ, 2001). Para isso é utilizado a técnica exacerbada de resoluções de problemas, fazendo com que o aluno apenas memorize um algoritmo de resolução para problemas semelhantes (RUIZ, 2001). Para mudar essa situação e colocar a matemática escolar mais próxima dos alunos da educação básica foi proposto este minicurso de origami.
            Para este minicurso será necessário apenas um local com carteiras dispostas em U, os demais materiais necessários serão levados por nós. A quantidade máxima de participantes seria de 30 pessoas, sendo que estaremos em quatro pessoas, uma ensinando e as demais para auxiliar tirando as dúvidas.

Desenvolvimento

            Este minicurso terá início com uma breve discussão das razões do uso do origami no ensino de matemática, pois as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,1997, p.49), PCNs, indicam que “é importante que observem semelhanças e diferenças entre formas tridimensionais e bidimensionais, figuras planas e não planas [...]”.
            A escolha por trabalhar com o origami se deu ao conhecermos que desde 1876 no Japão este faz parte do currículo escolar (Portal Japão e Origami na educação da Unesp). As razões apresentadas são de que o origami promove o desenvolvimento intelectual, capacidade criativa e a psicomotricidade, características estas que se atrofiam na matemática escolar atual. Além disso ele é muito importante no ensino de geometria euclidiana e também pode ser usado como inclusiva de deficientes auditivos (OLIVEIRA, 2012).
            Para iniciar a prática do minicurso será explicada a etimologia da palavra origami que se origina do ‘ori’ que significa dobrar e ‘kami’ que significa papel. Após isso serão descritas algumas regras importantes para o início prático do minicurso:
REGRA 1: Não vincar o papel, pois se corre o risco de rasgar o papel;
REGRA 2: Não se deve fazer o origami apoiado na mesa ou nas coxas, pois desse modo não será estimulada a coordenação motora e também seria mais difícil do participante visualizar o origami a ser elaborado;
REGRA 3: Não fazer uma “competição” de quem termina primeiro, pois existe a necessidade de memorização dos vários passos que serão feitos e também é preciso muito capricho para a estética do origami.
            O origami que iniciará o minicurso será o TSURU, Figura 1, pois a construção desse origami possui as principais dobras utilizadas nos demais origamis e também por ser o símbolo do origami. Com ele serão feitas várias analogias nos passo a passo para que fique mais fácil ao ouvinte memorizar o que deverá ser feito. Entre um passo e outro será contada a história de Sadako Sassaki (CIDRAL, 2012), enquanto se aguarda que todos estejam no mesmo passo.

  
Figura 1 – Tsuru.
Fonte: ARAKI, 1990, p. 22.

            A história de Sadako Sassaki (CIDRAL, 2012) é que ela era uma menina que morava na cidade de Hiroshima no período da Segunda Guerra Mundial e sobreviveu à explosão da bomba atômica. Porém, um tempo depois ela adoeceu e foi constatado que tinha leucemia e teria pouco tempo de vida. Lembrando-se da lenda dos mil tsurus, quem fizer os mil tsurus terá um pedido realizado, ela dá início à luta pela sua vida. Infelizmente ela não conseguiu completar os mil tsurus, mas seus colegas concluíram e também se organizaram para construírem o Monumento da Paz às Crianças, para lembrar todas as crianças que morreram por causa da bomba atômica.
            Ao termino do tsuru será mostrado o cubo Sonobe, Figura 2, para gerar a discussão que diferencia o quadrado de um cubo, uma confusão comum entre os alunos da educação básica que nos indica a necessidade em diferenciar uma figura bidimensional de uma tridimensional.

Figura 2 – Cubo Sonobe.
Fonte: KASAHARA e TAKAHAMA, 1987, p. 42

            Como atividade complementar, será montado o kusudama Sonobe, que são as mesmas peças do Cubo Sonobe, porém com uma dobra a mais, o dobro de peças e uma forma diferente de montar.
            Vale ressaltar que o origami não é necessariamente uma ferramenta de uso exclusivo da escola básica. Como Nishida e Hayasaka (s/d) afirmam que “no nível acadêmico mais avançado, o origami pode ser usado para representar moléculas tridimensionalmente (“origami molecular”) [...]”.
            Ao fim do minicurso serão ressaltadas as ideias geométricas utilizadas na montagem dos origamis: quadrado e seus elementos – lados e ângulos, diagonal do quadrado, bissetrizes, lados paralelos, lados que se interceptam.

Referências

ARAKI, Chivo. Origami for Christmas. Tokyo e Nova Iorque: Kodansha International, 1990. p.22-25.

BRASIL (Pais) SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: matemática. Ministério da Educação e Desporto. Secretaria de Educação Fundamental: Brasília (DF), 1997 v.3. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf>. Acesso em: 04 mar. 2014.

HAYASAKA, Enio Yoshinori; NISHIDA, Silvia Mitiko. Origami na Educação. Universidade Estadual Paulista. Disponível em: <http://www2.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Origami/Documentos/indice_origami_educacao.htm>. Acesso em: 05 mar. 2014.

CIDRAL, F. CBN Sadako e seus pássaros da paz, em Hiroshima: a cidade que pede paz ao mundo 19/07/12. Disponível em: <http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/platb/caminhosalternativos/tag/paz/>. Acessado em: 04 mar. 2014.

KASAHARA, Kumihiko; TAKAHAMA, Toshie. Origami for the Connoisseur. Tokyo e Nova Iorque: Japan Publications, Inc., 1987 p. 42-43.

OLIVEIRA, Priscila Logatto de Almeida A matemática surda. Caderno dá licença. 2012 v. 7  ano 10. Disponível em: <http://www.uff.br/var/www/htdocs/dalicenca/images/artigo2.pdf>. Acessado em 05 mar 2014.

PORTAL Japão. Origami (Arte da Dobradura de Papel). Portal Japão. Disponível em: <http://www.japao.org.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=33>. Acesso em: 28 fev. 2014.

RUIZ, Adriano Rodrigues. Matemática, Matemática escolar e o nosso quotidiano. Faculdade de Ciências de Lisboa. 2001. Disponível em: <http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/jponte/fdm/textos/ruiz%2001.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2014.


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